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Sai de mim!

Esse meu romantismo ainda me mata. E essa carência vai ajudar no processo.

Calma, não vim aqui pra reclamar da vida. Não muito.

Pode não parecer, mas estou tentando colocar um pouco de açúcar nesse café. Vim rir um pouco de mim mesma, dessa mania de ver corações por toda parte.

 

_ O meu problema Marcelo, é que eu me apaixono muito rápido. Não sei o que eu arrumo.

_Ah, Olga, você tinha que aproveitar essa vida. Larga de ser boba.

_Ah, aproveitar como?! [cara de: Seja claro, seu idiota! Amigo é pra isso]

_O problema é que você é ‘quietinha demais’. [Risada escandalosa]

 

E parece que vou continuar sendo. É de rir mesmo, de rolar de rir.

Minha vida amorosa tem sido uma constante piada, desde sempre.

Lembro-me muito bem do Gutinho, amor em comum de todas as garotas da mesma idade. Brincávamos juntos, e foi aí que os primeiros sintomas de romantismo agudo apareceram:

_Nós vamos casar e eu serei seu eterno amor.

Era o que eu escutava. Mas na verdade, meu querido Gutinho dizia:

_Ok, a gente brinca de casinha. Vou ser o pai, mas depois vamos brincar de polícia e ladrão.

 

Essa mania de ver coisa onde não tem me persegue.

O meu grande-amor-pra-vida-toda-da-última-semana sempre aparece. E aparece do jeito que eu espero. Aquela mania de mostrar que estou gostando de cada palavrinha mentirosa que ele diz também me persegue. E eu tento fazer com que dê certo, com que a coisa vá pra frente. Mas me atrapalho, empolgo, sonho e quando acordo... acordo com dor de cabeça.

Outra coisa que não me larga é a tal da sinceridade. Vou lá e falo tudo que está aqui dentro. Falo demais.

 

_Você é fofa demais, me encanta esse seu jeito. Além de tudo tem bom gosto, cada palavra que você escolhe...

Bom gosto? Onde?! Pra ter escolhido você? Eu tenho é o dedo podre.

E não me chame de FOFA! Nervoso

 

Agora me aparece você com essas pequenas intenções, dizendo que tem um pouco de medo. Pegando na minha mão - quem foi o idiota que te contou que gosto desses pequenos gestos?! Não faz isso não, meu filho! Se por acaso, em um surto você beijar minha testa, não respondo por mim! – me deixando mais confusa e atrapalhada.

 

E me aparece o outro também. Daqui a pouco até o violão ele vai pegar e dizer que fez uma música pra mim.

 

E minha cabeça começa dar voltas, a imaginar coisas. A sonhar com algo que talvez nem vá pra frente da maneira que eu desejo. Porque o que eles querem é bem diferente do que eu quero. E é só questão de ver a realidade. De tentar parar com esse romantismo, essa mania de sonhar demais; de tentar fazer dar certo; mania de achar o que ele disse lindo.

_Como assim, amiga?! Ele só falou árvore.

_Mesmo assim, foi lindo!  [suspiros prolongados]

 

 

 



Escrito por Olga às 00h15
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Do que eu preciso

Estar feliz e não ter que explicar a todos o porquê de tanta felicidade. Poder sorrir sozinha e chorar descontroladamente quando tiver vontade.

Poder sair sem ter que dar explicações e nada de chegar na hora marcada.

Comprar a coisa mais boba do mundo. Não comprar.

Ter liberdade de escolha.

 

Liberdade, só isso. Não acho que é pedir muito.

 

 

Preciso de liberdade, mesmo sendo ela ainda pequena demais para o meu desejo.

Preciso ver a lua e sorrir de volta. Preciso ver o céu, pegar estrelas e alcançar a imensidão.

Poder viver com esse meu jeito descontrolado, com esse mesmo jeito atrapalhado, com esse jeito tão meu.

É só. Só o que te peço.

Deixe-me ser, deixe-me buscar as minhas verdades, ver das minhas cores, conhecer o mundo e realizar os meus pequenos sonhos. Deixe-me descobrir se quero voltar, ou se quero continuar.



Escrito por Olga às 14h50
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