Do tempo que passou.

Tempo a gente nunca tem. Ele vem e, consequentemente, vai na mesma velocidade com que chegou. Voa e só. Não venha me dizer que o tempo faz a gente esquecer, pois as lembranças sempre estiveram por aqui. Que basta querer, por que não sei se quero. Não venha me dizer que o tempo cura tudo. Não cura. O máximo que o tempo pode fazer é correr. A vida muda. Nós mudamos, mas o tempo sempre será o mesmo. Corriqueiro, voado. E desse tempo se faz um ano. Um ano desde o primeiro açaí, o primeiro sorriso, o primeiro sim. Um ano desde a primeira mensagem, do primeiro programa de índio, das primeiras cócegas e conversas. Gostaria que você estivesse por aqui. Gostaria de ouvir a sua voz. A mesma voz que cantarolava Alceu Valença, Nando Reis e Zeca Baleiro. Gostaria de ver o seu sorriso de perto em dias de sol, de sentir seu abraço apertado em dias de chuva. Escutar sua risada, suas palavras, sentir suas mãos bagunçando meu cabelo. Sentir seus gestos. Gostaria que você lesse minhas palavras, que saem sem tristeza, com um pouco de açúcar e muita saudade. Saudade essa que o tempo me trouxe. Será que não merecemos uma segunda chance? Seria possível tentar de novo? É certo, que se for pr’eu pensar em alguém, vai ser por você que vou abrir meu sorriso e fechar meus olhos. É certo também que eu já tentei olhar em volta e não me deparei com ninguém com esse seu jeito, com a sua maneira. Talvez porque eu nem queira tanto assim encontrar outro alguém. Talvez porque mesmo com o tempo correndo, eu continuo aqui pensando. Continuo torcendo pelas quartas-feiras e junto delas quem sabe, poder te ver de longe no fim do dia. Continuo simplesmente aqui. Esperando o inesperado. Sonhando com o que ficou de bom no passado. E o tempo? Ele continua correndo. 
Escrito por Olga às 18h02
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